como dar passagem ao desejo
que impulsiona a produção de vida?

vivenciar a travessia da incubação do [n]ovo?

captar os esboços que brotam?

ensaiar a continuidade e formar?


por um laboratório de práticas biopoéticas

Em 2021, durante a pandemia, comecei a conceber uma clínica-lab dedicada à reativação de nosso aparato perceptivo e sensível como seres VIVOS em constante biointeração (conceito proposto por Nego Bispo) com os demais entes terrestres. Em tempos de colapso ambiental, e pensando o problema do impacto da civilização humana moderna sobre o ecossistema planetário, acabei por concluir que nós não sabemos como reformular nosso modo de funcionamento. Sabemos que é preciso mudar comportamentos de consumo e repensar as bases materiais de nossa existência. O que ainda não sabemos, como pontuou o antropólogo Viveiros de Castro na conferência Mil Nomes de Gaia, é “como passar do discurso aos atos”.

COMO VIVER PROCESSOS DE MUDANÇA – esta foi a questão central que me levou ao fundamento somático de todos os nossos padrões de ação, comportamentos, memórias e experiências vinculares. A partir daí, passei a conduzir práticas terapêutico-artísticas baseadas na abordagem formativa proposta por Stanley Keleman, pela lente decolonial de Regina Favre.

Neste ambiente, pensamos a subjetividade como floresta. E o corpo como lugar. O self produz-se no interior de um jogo de forças que constituem nossas diversas camadas ecológicas, nas quais já não somos “indivíduos” – mas PONTOS DE VIDA em constante processo individuante. E há sempre novas brotações de vida que nos solicitam testemunho e cuidado para prosperar. Nesse contexto, penso um lab-clínica como ecologia de práticas dedicadas ao cultivo de novas sensibilidades e ao acompanhamento de processos de vida, entendidos como novas produções existenciais ou de obras, pesquisa, pensamento etc.

Tanto nas atividades em grupo quanto nos atendimentos individuais, a proposta se estrutura a partir da instauração de ambientes confiáveis e vinculares onde praticamos: 

habilidades de auto-manejo e auto-organização somática por meio de exercícios do método formativo que propiciam mudanças e reformulações em níveis subjetivo, comportamental e existencial;
desorganização de padrões de ação que têm bloqueado ou diminuído nossa potência formativa, posturando formas somáticas dos diversos “quems” que performamos nas relações;
novos esboços de ação e experimentação, cartografando o vivido, acolhendo e selecionando as novas formas que emergem do processo e aprendendo a corporificá-las e estabilizá-las na produção da continuidade.

LABios é um trabalho em favor da biodiversidade de modos de vida e da reativação das potências formativas de cada corpo. É também de uma pedagogia para o exercício autônomo de si em devir-com os fluxos evolutivos do planeta. O intuito é permitir o florescimento de biopoéticas pessoais que brotem como expressão sensível de um sentido latente de pertencimento e participação – to re-member como sugere Donna Haraway. Ou, como poetiza Regina Favre, acessar a experiência de ser um “fruto no pé da árvore da vida”.

Atendimento
individual

incubar
e acompanhar
processos
de vida,
pensamento
e arte

1h de duração

remoto

Trabalho pedagógico-terapêutico voltado para:

Transições somáticas – acompanhamento de processos de finalização, incubação e brotação, com base no protocolo em cinco etapas de Stanley Keleman, que favorece a desorganização de padrões obsoletos e o amadurecimento de formas mais afinadas com o presente.

Projetos de pesquisa e criação – apoio à cartografia de percursos teóricos, práticos e artísticos, com intervenções somáticas que liberam bloqueios, ampliam o fluxo criativo e fortalecem a poiesis.

Outras atividades

Mestra em Arte Educação, artista visual, anfitriã de chá e parteira de processos de vida-poética-pensamento. Sou mulher, branca, nascida e criada na urbanidade vivendo na zona rural, nas montanhas do Vale do Paraíba paulista. Minhas incursões pelas artes, pela filosofia e pelos estudos do corpo levaram-me a conceber um laboratório-clínica dedicado a trabalhar somaticamente questões comportamentais que impedem nosso acesso à poiesis, intimidam nosso impulso de experimentação e inibem o desejo de prosseguir. Penso a vida como produção estética e a existência como arte de ser quem se é em devir com o planeta.